A Liberdade guiando o povo.

A Liberdade guiando o povo.
Delacroix é considerado o mais importante representante do romantismo francês. Na sua obra convergem a voluptuosidade de Rubens, o refinamento de Veronese, a expressividade cromática de William Turner e o sentimento patético de seu grande amigo Géricault. O pintor, que como poucos soube sublimar os sentimentos por meio da cor, escreveu: "…nem sempre a pintura precisa de um tema". E isso seria de vital importância para a pintura das primeiras vanguardas.

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terça-feira, 21 de abril de 2015

Romantismo no Brasil - 1ª Geração

A primeira geração do romantismo no Brasil, de 1836 a 1852, foi caracterizada principalmente pelo indianismo e o nacionalismo.  Nessa fase o homem percebeu a necessidade de fugir da realidade pois se sentia em desajuste com a sociedade, portanto voltava ao passado.
O termo “voltar-se ao passado” tem a função de relembrar o que aconteceu na história. Quando nos referimos ao passado europeu lembramos-nos da idade média, mas no caso da 1ª geração do romantismo no Brasil relembrar o passado é redescobrir o país antes da chegada dos europeus, quando existiam apenas as tribos indígenas por aqui.
O romance indianista foi o gênero que trouxe mais popularidade para o escritor José de Alencar que foi o maior autor da prosa romântica no Brasil, considerado o pai dos Romances indianistas. Um exemplo é esse trecho de Iracema, de José de Alencar:
 “Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta.” 
 Nesse romance escrito em 1865, o escritor apresenta uma visão poética da formação do povo brasileiro. De acordo com sua “lenda”, ele tem origem na união do índio, representado por Iracema, a “virgem dos lábios de mel”, já o branco europeu, foi representado pelo guerreiro Martim. Repare que o negro ficou de fora do projeto nacionalista-literário da primeira geração do romantismo no Brasil.
A figura do índio é idealizada aqui no Brasil pois é considerado antepassado nacional puramente brasileiro e não europeu (como os cavaleiros medievais).
Juntamente com o indianismo, o que caracterizou a 1ª geração também foi o nacionalismo, pois além de reconhecer o índio como um símbolo nacional, os primeiros autores verão a necessidade de criar uma identidade brasileira.

Gonçalves Dias considerado protagonista da 1ª geração do romantismo no Brasil apesar de não ter introduzido o gênero no Brasil (papel realizado por Gonçalves de Magalhães ) foi um grande escritor, com grandes obras nacionalistas e responsável pela consolidação do gênero no pais.
Os versos de Gonçalves Dias, do poema Canção do Exílio (1843), um dos mais citados em nossa cultura é um ótimo exemplo:

“Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá;

As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá”

O eu lírico, afastado de seu país, se volta seu pensamento para a natureza, considerando como um lugar de refúgio para os angustiados e desesperados.

Escritores:

Na poesia da primeira geração, a escrita buscava o nacionalismo.  Outras tendências são observadas nas prosas da época como o romance regionalista, o romance histórico e o romance urbano. Exemplos de escritos são:

Poesia
- Gonçalves Dias (1823 - 1864)
- Casimiro de Abreu (1839 - 1860)

Prosa 

- José de Alencar (1829 - 1877)
- Joaquim Manuel de Macedo (1820 - 1882)
- Manuel Antônio de Almeida (1831 - 1861)

Obras:

Domingos José Gonçalves de Magalhães (1811-1882)

Poeta considerado o fundador do Romantismo Brasileiro, Gonçalves de Magalhães, recebeu o título de "Visconde Araguaia". Algumas de suas obras: O poeta e a Inquisição (1839), Suspiros Poéticos e Saudades (1836), Os indígenas do Brasil perante a História (1860), A Confederação dos Tamoios (1857).

Gonçalves Dias: Sua obra poética voltada à 1ª geração no romantismo no Brasil foi a nacionalista (exaltação da pátria distante – “Canção do Exílio”) e a Indianista (o índio como símbolo nacional brasileiro –“I-Juca Pirama”).


José de Alencar: Suas obras mais voltadas para o indianismo como “O Guarani”, além de outros clássicos como “Iracema” e “Ubirajara”.

Análise: Canção do exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá. 

Sendo uma das principais características da primeira geração do romantismo no Brasil, o nacionalismo está claramente presente no poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias. Como no verso: “… As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá. ’’, em que podemos perceber a forte valorização da terra natal e dos elementos que a compõem, ou seja, a natureza. Além disso, neste mesmo verso está exemplificado o afastamento espacial, sendo outra característica do Romantismo.    
Gonçalves Dias

Referências: 

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/romantismo-primeira-geracao.html

 https://campoliterario.wordpress.com/2013/07/27/analise-poetica-cancao-do-exilio/

Alunos:

Felipe de Medeiros
Fernando Zanutto
Luiz Miguel
João Marcos
Henrique Salmon

 Romantismo na Europa

O "berço romântico" é europeu. Mesmo nossa cultura (brasileira) sofrendo grande influência com tau escola literária, o romantismo surgiu na Europa. 
Formado para confrontar o Iluminismo e o "Individualismo Teossêntrico", o Romantismo negou o culto razão e limpou todos os resquícios medievais de medo do homen perante a vontade de Deus. 
Entre o final do século XVII e o começo do século XVIII, quando o romantismo europeu se fez presente, os principais países que manifestaram suas características foram Portugal, Inglaterra, França e Alemanha.


Romantismo em Portugal:

Durante o século XIX, Portugal participou de grandes transformações europeias (revolução industrial, revolução francesa, etc..)
Introdutor do romantismo em Portugal foi Almeida Garrett, que depois foi exilado na Inglaterra e presenciou o romantismo inglês.

O romantismo evoluiu em 3 momentos :

  • 1° geração romantica portuguesa Características: sobrevivência de características neoclássicas; nacionalismo; historicismo e medievalismo .
  • 2° geração romantica portuguesa Características: mal do seculo ; subjetivismo e emocionalismo romântico; irracionalismo; escapismo; fantasia e pessimismo.
  • 3° geração romantica portuguesa Características: diluição de características românticas; pre realismo Principais autores: julio diniz (os fidalgos da casa mourisca em 1871; poesias em 1873). 
                                                                                  (Pintura de Rafael Bordalo Pinheiro, Artista do                                                                                                     Romantismo em Portugal)

Características do Romantismo em portugal:

  •  As escolas românticas repudiavam os classicos, opondo-se às regras e modelos, defendendo a "impureza" dos gêneros literários.
  • Os autores projetavam-se para dentro de si.
  • Conteúdo sentimental e melancólico da vida, do amor, e da própria morte.
  • Introversão ("De acordo com Jung, comportamento da pessoa que demanda toda a sua energia psíquica para si mesmo (em oposição ao mundo exterior)" "dicionário online de português".
  • Natureza e mulher consideradas importantes.
  • Amor platônico.
  • A mulher eta considerada uma deusa, uma coisa divina (retorno ao trovadorismo).
  • Devaneio ao nao encontrar ou ao perder a mulher dos sonhos (escapismo).
  • Mal do seculo: marcado por muitos suicídios; caracterizado pela frequência dos temas de morte nos poemas.  
Principal autor: Camilo Castelo Branco (amor de salvação em 1864; a queda dum anjo 1866) 


Romantismo na Inglaterra: 

O romantismo na Inglaterra ocorreu no período de 1790-1832 . Com grande influência da revolução industrial , que inseriu o proletariado na sociedade , impulsionando a figura da mulher na cultura inglesa e dando início ao romantismo , pois o momento criou um novo publico leitor.

Características do Romantismo, Obras e Autores:

As características do Romantismo na Inglaterra são muito marcadas pelo gosto pelo exótico , em obras como “Frankenstein – Mary Shelley” , a fuga da realidade , como em “The Idiot Boy – William Wordsworth ” , e também a superioridade da natureza , devido a grande invasão das máquinas na revolução industrial

Analise de um poema da época que mais mostrava seu contexto histórico: 

“Estamos mais próximos da sabedoria quando nos curvamos e não quando pairamos no alto. – William Wordsworth” 
O poema pode ser interpretado como se para ficarmos mais próximos da sabedoria , fosse melhor nos curvarmos diante da natureza , e não tentar controlar-la criando máquinas e outros afins dominantes .






(Frankenstein – As Muitas Faces de Um Monstro, 1974)


Romantismo na França:

 O romantismo na França andou lado a lado com a revolução francesa, ajudando a pregar a ideia de liberdade, igualdade e fraternidade. Os Românticos franceses que haviam apoiado a revolução, que acabara dando certo, perceberam que os ideais que levaram à revolução não foram instalados na sociedade.Assim surge no romantismo francês. 

Características do Romantismo na França: 

  • Ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.
  • Sentimento de frustração e desencanto com a vida (característica principal da segunda geração do romantismo francês).

Principais autores do romantismo francês e suas obras:

  • Principais autores do romantismo francês:
  • François-René de Chateaubriand (1768-1848), “Génie du Christianisme” e “Essai Historique, Politique et Moral Sur les Revolutions”.
  • Alphonse de Lamartine (1790-1869), “Meditações Poéticas”.
  • Alfred de Musset (1810-1857, "Primeiras Poesias" e "Novas Poesias".
  • Victor Hugo (1802-1885), “O Corcunda de Notre Dame” e “Os miseráveis”.

Victor Hugo

É considerado por muitos o Romântico francês de maior expressão. Sua obra mais famosa é “O Corcunda de Notre Dame”, seguida de “Os miseráveis”, obra que ganhou um novo filme em 2012 com atores como Hugh Jackman e Anne Hathaway.Também se destacam suas obras "Odes e Baladas", "As Folhas de Outono", "As Vozes Interiores" e "Os Cantos do Crepúsculo".  

Nestes poemas de Victor Hugo podemos perceber o sentimento de frustração e desencanto da época:

“O destino é severo. Sejamos nós indulgentes. O que é preto talvez não seja escuro.”
“As revoluções, como os vulcões, têm os seus dias de chamas e os seus anos de fumaça.”



Romantismo Alemão

Humboldt-University-Berlin

Fatores históricos:   

  • Invasões Napoleônicas pouco antes do início do romantismo.
  •     Série de movimentos sociais como forma de resistência ao iluminismo francês.
  •    Criação da Universidade de Berlim.
  •  Dominação francesa do que hoje é a Alemanha em 1806.
  •     Cria-se “escola místicas”, principalmente a de Boheme.

                   Biblioteca de Humboldt (Universidade de                          Berlim, http://perolas.com/biblioteca-de-                           humboldt-universidade-de-berlim/).

Principais Características do Romantismo Alemão:

  • Ao contrário do iluminismo, a Alemanha se contrapõem ao culto exagerado da Razão.
  • Se contrapõem, também, ao ideal materialista de conceber o homem.
  • Utiliza o Nacionalismo excessivo, como repreensão as invasões francesas (culturais e militares).
  • “Volksgeist” (espírito da nação): “O povo é anterior e superior ao Estado e é do espírito do povo que brota tanto a língua como o direito” 1
  • A busca por respostas sobre “estado de consciência individual”, passa a uma linha implícita e intuitiva (escolas místicas).


"Herder", precursor do “
Volksgeist” e da 
“Escola Histórica”
(http://euro-synergies.
hautetfort.com/archive
/2011/05/23/herder-s-
philosophy-of-the-vol
ksgeist.html) 








Autores e Obras:     

Destaque à "Friedrich Schlegel, von Schelling e Novalis" considerados os precursores do       Romantismo na Alemanha.

  • Friedrich Gottlieb Klopstock: Messias; An Meine Freund;  A morte de Adão; Salomão; Hermann.
  • Gotthold Ephraim Lessing: Lieder; Fabeln; Damon, oder die wahre Freundschaft; Die Juden; Laocoonte, ou Sobre As Fronteiras Da Pintura E Da Poesia; Emilia Galotti; D. Faust.
  • Friedrich Schiller: Os Bandoleiros; Maria Stuart; Guilherm Tell; Demetrius; O Visionário; Os Artistas; O Ideal e a Vida; Xénias; A Luva; Da Arte Trágica; Do Sublime; Cartas Sobre a Educação Estética do Homem.
  • Johann Wolfgang von Goethe: Torquato Tasso; Fausto; Os Sofrimentos do Jovem Werther; Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister; As Afinidades Eletivas; Hermann e Dorotéia; O Aprendiz de Feiticeiro; Teoria das Cores.
  • Johann Gottfried von Herder: Fragmentos Sobre Uma Nova Literatura Alemã; Ensaio Sobre a Origem da Linguagem; Idéias Para Uma Filosofia da História da Humanidade; Outra Filosofia da História para a Educação da Humanidade.
  • Friedrich Hölderlin: A Morte de Empédocles; Hyperion ou O Eremita na Grécia; Tragédias de Sófocles; Poemas de Friedrich Hölderlin.
  • Friedrich Schlegel: Interpretações e críticas; Lucinda; Sobre a língua e a sabedoria dos indianos.
  • Friedrich von Schelling: Sobre a Possibilidade de uma Forma da Filosofia em Geral; Da Alma do Mundo; Bruno ou Sobre o Princípio Natural e Divino das Coisas; Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana.
  • Georg Philipp Friedrich von Hardenberg (Novalis): Fragmentos; Hinos à Noite; Os Noviços em Sais; Heinrich von Ofterdingen.
  • Jean Paul (Richter): Os processos gronelandeses; Siebenkäs; Die unsichtbare Loge; Hesperus.


  

Poema romântico-europeu:

Quando Eu Sonhava

Quando eu sonhava, era assim 
Que nos meus sonhos a via; 
E era assim que me fugia, 
Apenas eu despertava, 
Essa imagem fugidia 
Que nunca pude alcançar. 
Agora, que estou desperto, 
Agora a vejo fixar... 
Para quê? - Quando era vaga, 
Uma ideia, um pensamento, 
Um raio de estrela incerto 
No imenso firmamento, 
Uma quimera, um vão sonho, 
Eu sonhava - mas vivia: 
Prazer não sabia o que era, 
Mas dor, na conhecia ... 

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

Características: 

  • Observe que Garrett sofre quando lembra de seus sonhos com "Ela" e enfrenta a realidade: "Prazer não sabia o que era, Mas dor, na conhecia ..."  
  • Que no poema ele fala apenas "dele"e de sua amada:"(...) Quando eu sonhava..; (...) Apenas eu.."
  • Ele imgina-se em um "mundo perfeito": "Eu sonhava"; "um vão sonho"; "Quando eu sonhava, era assim ,Que nos meus sonhos a via" .
  • Um distânciamento dele com seu amor, que para ele está apenas em sua mente:"Essa imagem fugidia; Que nunca pude alcançar."

Fontes: 

1. http://maltez.info/respublica/Cepp/conceitos_politicos/espirito_do_povo.htm

http://www.infoescola.com/movimentos-artisticos/romantismo-alemao/

http://guerras.brasilescola.com/seculo-xvi-xix/as-conquistas-napoleao.htm

https://www.algosobre.com.br/literatura/romantismo.html

http://www.infoescola.com/movimentos-literarios/romantismo2/

http://www.suapesquisa.com/romantismo/romantismo.htm

http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.com.br/2009_05_01_archive.html

http://qol-hatora.org/reflexoes/diferencas-entre-escolas-racionalista-e-mistica/

http://portugalparanormal.com/index.php/topic,4585.0.html

http://www.infoescola.com/literatura/escritores-do-romantismo-alemao/


Alunos:

Lorenzo Garron

Prisley Rodrigues

João Gabriel

Leandro Pacheco


3ª Fase do Romantismo

Condoreira ou Hugoana
·         Por que esses nomes, Condoreira e Hugoana, são da terceira fase do romantismo?

            O termo Hugoana pela forte influência do francês Victor Hugo sobre as obras brasileiras da época, cujo tema toma como eixo a liberdade, o republicanismo, a democracia, a igualdade social e reformas que venham a tornar o mundo melhor.
            Já a palavra Condoreira é uma metáfora dos ideais elevados dos jovens poetas: “condor” é o nome de uma ave que voa acima das Cordilheiras dos Andes. Esta ave, assim como a águia, o falcão e o albatroz se tornou símbolo da terceira geração do romantismo. O fato de essas aves voarem alto, fez com que os autores também pensassem nas respectivas capacidades de enxergar mais longe e tomaram para si a missão de transmitir o que viam ao povo, para que este também se conscientizasse de seus ideais de liberdade, justiça e igualdade. Outra analogia que se pode fazer com essas aves-símbolo é com a ideia de liberdade, tão cara aos poetas da terceira geração, que pode ser associada ao alto voo.

·         Quais são as características desse período?
- Antecipa características do Realismo, que substituirá o Romantismo;
- Poesia de fundo social, inicialmente defendendo o Abolicionismo e a República. Desta forma, se voltou para um povo considerado inferior na época, como os escravos e os pobres;
- Poesia de comício: Há uma função apelativa na linguagem, falando dos homens para os homens, em lugares públicos nos quais uma massa da população tem contato, envolvendo uma multidão;
- A idealização é deixada de lado e a mulher deixa de ser idealizada; passa a ser concreta e tocável. Se antes a mulher era vista em uma atmosfera casta e divina, passa a se tornar parte de uma atmosfera de sensualidade e erotismo;
- Em relação à linguagem, os autores começaram a adotar o uso das metáforas, hipérboles, antíteses e apóstrofes violentas, além do uso de frases pomposas e retóricas grandiloquentes.
·         Qual foi o contexto histórico dessa geração do Romantismo?
            As ideias vigentes entre os anos de 1870 a 1890 eram liberais, abolicionistas e republicanas. O engajamento em questões da realidade social e a oposição ao governo central tornam-se incompatíveis com o subjetivismo e o patriotismo, até então dominantes. Nessa fase, o autor Victor Hugo foi de grande influência com suas obras com temáticas liberais, republicanismo, a democracia, a igualdade social e reformas cujo objetivo era tornar o mundo melhor. Esses ideais mudaram o rumo do país, assim como o da literatura.
           O contexto histórico que influenciou na formação da terceira geração do romantismo no Brasil poder ser relacionado com o da transição da monarquia, até então vigente no país, para a república. Isso não foi algo súbito, e sim um acontecimento desencadeado por uma série de fatores. OS fatos que levaram à mudança de governo foram a abolição da escravidão, que começou a se firmar em meados de 1850 no Brasil, ações da monarquia que os militares, vencedores da Guerra do Paraguai, não concordavam em medidas que faziam o rei interferir em assuntos da Igreja Católica no país.
As características do movimento literário da terceira fase do Romantismo, influenciadas por esses movimentos revolucionários da época que geraram instabilidade no governo são preenchidas de cunho liberal, defendendo ideais até então não discutidos como o papel dos negros na sociedade brasileira, além de começar apresentar uma nova forma de escrever, com características do que viria a ser o Realismo, movimento literário seguinte.
           
·         Quais foram os principais autores?

- Antônio Frederico de Castro Alves:
            Considerado um dos principais autores dessa fase do Romantismo, senão o maior do período, nasceu na década de 1840 em uma fazenda, no interior da Bahia e começou a fazer Direito na cidade do Recife,capital de Pernambuco, já em 1862 com cerca de 22 anos.  
            Castro Alves foi um tanto polêmico para a época por apresentar ideias até então não muito discutidas, como a questão abolicionista. Apesar disso,esse autor não se baseou só em críticas sociais, mas se destacou também na poesia lírica amorosa.
            Ao longo de sua vida, teve escreveu muitas obras, das quais se destacam o Navio Negreiro: Tragédia no Mar, de 1869- antes da abolição da escravidão-, Espumas Flutuante, escrito em1870 e Os Escravos, 1883.
            A imagem a seguir é do autor Castro Alves:
Antônio Frederico de Castro Alves.
Fonte: Casa de Castro Alves.
http://casadecastroalves.com/tag/castro-alves/

            Como já afirmado, esse autor não escreveu textos de cunho crítico, mas também se destacou na lírica amorosa. A seguir, um poema de Castro Alves, chamado O “adeus” de Teresa:
O "adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala

E ela, corando, murmurou-me: "adeus!"

Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquesta
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"
Castro Alves

            No poema O “adeus” de Teresa, Castro Alves não idealiza a mulher, como era feito anteriormente. A mulher é vista como algo alcançável, pois ele demonstra um relacionamento amoroso, como nos versos:
“A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala”
            Demonstra estágios de amor, com sedução e conquista o que nas gerações anteriores não acontecia.   Ocorre uma parte mais realista, pois antes as histórias românticas acabavam somente em amor ou uma espécie de morte heroica, mas neste poema acaba em um final não tão “romântico”, com uma possível traição e um último adeus.
- Joaquim de Sousa Andrade:
            Joaquim de Sousa Andrade,também chamado de Sousândrade, foi um autor maranhense, nascido em 1833, ou seja, durante o período regencial brasileiro. O que o destacou também foi que, mesmo sendo um filho de grandes latifundiários, de origem aristocrata, foi um grande crítico de questões defendidas por esse grupo, como a escravidão. Andrade foi abolicionista e defendia a criação da República no Brasil.
            Entre sua principais obras, está O Guesa, de 1871, que teve como base uma lenda indígena chamada Guesa Errante.
            A imagem a seguir é do autor:
Joaquim de Sousa Andrade/ Sousândrade.
Fonte: Travessia Poética.
http://valiteratura.blogspot.com.br/2012/02/sousandrade-e-o-romantismo-brasileiro.html

- Tobias Barreto de Meneses:
            O autor Tobias Barreto de Meneses nasceu no Sergipe, em meados em 1839, e era mestiço,o que lhe causou dificuldades até em sua vida amorosa, pois a época em que viveu era recheada de preconceitos. Casou-se coma filha de um dono de engenhos na cidade de Escada, no estado de Pernambuco.
            Meneses estudou latim, publicou livros, alguns em alemão e teve grande influência do autor francês Victor-Marie Hugo. Entre suas principais obras, estão Glosa,de 1864, Amar,escrito em 1866,O Gênio da Humanidade,1866, e A Escravidão,de 1868.
           

            A foto a seguir é do autor Tobias Barreto de Meneses:
Tobias Barreto de Meneses.
Fonte: Academia Gloriosa de Letras.
http://www.academiagloriensedeletras.org/patronos



Referências:


PETTA, NICOLINA L.; OJEDA, EDUARDO A. B. História: Uma abordagem integrada. São Paulo, 2003.

ANDRADE, VINICIUS DE. Romantismo 3 gerações. 22/10/2012.
http://trabalholiteratura1d.blogspot.com.br/?m=1, Acesso em 17/04/2015.

Romantismo no Brasil (3): As três gerações de poetas. 31/07/2005. 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/romantismo-no-brasil-3-as-tres-geracoes-de-poetas.htm, Acesso em 17/04/2015.


Romantismo (Terceira Geração). 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo12166/romantismo-%28terceira-geracao%29, Acesso em 17/04/2015.



Alunos:
Daiane C. dos Santos Stelzner
Flávia Zaganski
Larissa S. Paulo
Rafael Teivfik Quintas dos Santos

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Romantismo no Brasil: "O Mal do Século"

ROMANTISMO NO BRASIL: "O MAL DO SÉCULO"


O romantismo foi a era que libertou a mente do europeu e se opôs ao racionalismo, dando maior ênfase para a universalidade, individualismo e subjetivismo. Tem seu início dado quando Goethe publica Os Sofrimentos do Jovem Werther, tratando dos temas sentimentais. Nesta época, era comum o exagero no sentimento e a expressividade. O valor de fixava mais para o indivíduo e em suas emoções, mostrando seu lado humano tanto nas artes escrita e musical quanto na filosofia. Esta "arte do eu" foi onde os artistas se concentraram, escrevendo ou compondo suas tragédias amorosas, utopias e desejos de volta ao passado ou fuga para o futuro.

Estes quadros explicam um pouco mais sobre a segunda geração do romantismo no Brasil e suas características:


É importante ressaltar que, na segunda geração, o nacionalismo existente durante a primeira face é deixado em segundo plano, dando mais valor à subjetividade, revelando um ser desacreditado e de trágica visão própria. Os heróis que antes eram vistos com glória agora tem diversos problemas, chegando a pensar em suicídio como solução. Essa baixa estima trazida pelos escritores cria características que são próprias de tal período: 



Os principais pilares do dito cujo Mal do Século foram:

Álvares de Azevedo, com Lira dos Vinte Anos (1853) e Noite na Taverna (1855)
Casimiro de Abreu, com Meus Oito Anos (1857), As Primaveras (1859), Suspiros e Saudades (1856)
Fagundes Varella, com Vozes da América (1864) e Noturnas (1860)
Junqueira Freire, com Inspirações de Claustro (1855)
Bittencourt Calasans, com A Morte de uma Virgem (1867), Páginas Soltas (1855), etc.





Se Eu Morresse Amanhã!

Álvares de Azevedo


Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que dove n'alva
Acorda a natureza mais loucã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!


Fontes:
(I) http://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-romantica/
(II) http://www.soliteratura.com.br/romantismo/romantismo05.php
(III) http://www.soliteratura.com.br/romantismo/
(IV) http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/romantismo-segunda-geracao.html

Grupo: Gustavo Cantuária, Isabela Floriani e Nicole Oliveira

domingo, 19 de abril de 2015

Romantismo no Brasil ( Parte I )

Gonçalves Dias , autor brasileiro do período romântico, definiu esse período basicamente pelos conteúdos abordados nele e suas características quanto à forma. Na visão dele, o romantismo: 

  
“É um livro de poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios;  ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus, e os prodígios do cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre os túmulos; ora enfim refletindo sobre a sorte da pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. Poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e pelo coração devem ser julgadas. Quanto à forma, isto é, a construção, por assim dizer, material das estrofes, nenhuma ordem seguimos; exprimindo as idéias como elas se apresentaram, para não destruir o acento da inspiração; além de que, a igualdade de versos, a regularidade das rimas, e a simetria das estrofes produz uma tal monotonia, que jamais podem agradar.” 

                 


I - Juca-Pirama

VI
                                                                      Gonçalves Dias
 
-" Filho meu, onde estás?"
                                         -"Ao vosso lado;
Aqui vos trago provisões: tomai-as,
As vossas forças restaurai perdidas,
E a caminho, e já!"
                                        -"Tardaste muito!
Não era nado o sol, quando partiste,
E frouxo o seu calor já sinto agora!"

-"Sim, demorei-me a divagar sem rumo,
Perdi-me nestas matas intrincadas,
Reaviei-me e tornei; mas urge o tempo;
Convém partir, e já!"
                                           -"Que novos males
Nos resta de sofrer? - que novas dores,
Que outro fado pior Tupã nos guarda?"
-"As setas da aflição já esgotaram,
Nem para novo golpe espaço intacto
Em nossos corpos resta."
                                         -" Mas tu tremes!"
[...]

                                                                              [2]

                 





[2] Coletânea Clássicos da Poesia Brasileira;LIVRO,pág.81.


Grupo 3: Amanda, Bruno e Emanuelli.